As 11 melhores coisas que você pode fazer com um cavalo morto

O título desse post é no mínimo intrigante, mas o assunto que irei tratar é bastante comum: estratégia e inovação. Quero compartilhar um conteúdo riquíssimo de Vijay Govindarajan, professor de negócios internacionais e diretor do “Tuck Center for Global Leadership” da Dartmouth College.

Govindarajan afirma que uma empresa para ser estratégica e inovar precisa seguir 03 ações:

Gerir o presente
Esquecer seletivamente o passado
Criar o futuro

Escolhi a ação de número 2 para essa post, pois em geral, as empresas e seus gestores têm muita dificuldade em esquecer o passado.

Quando algo que funcionou por muito tempo não apresenta mais os mesmos resultados, muitos executivos têm dificuldade de seletivamente abandonar o passado, de perceber que estão cavalgando em um cavalo morto e que é preciso buscar uma nova montaria o mais rápido possível.

Assumir que os investimentos feitos não darão mais resultados é um processo complexo, portanto muitos continuam defendendo alguns cavalos mortos como relevantes pelos mais variados motivos:

Foram criados por eles;
Eles funcionaram por muito tempo e ajudaram a empresa a chegar onde está;
Eles fazem parte da cultura da empresa.

As empresas precisam estar em constante movimento e buscando sempre a inovação como estratégia, mas isso só acontece quando conseguem se desenvencilhar do passado para criar o futuro.

Vivemos um momento em que as tecnologias mudam constantemente e isso exige das e empresas uma estratégia não linear. Quando novos competidores surgem no mercado ou as empresas embarcam em novos mercados consumidores é preciso mudar a estratégia e inovar.

Para Govindarajan estratégia é inovação e os líderes precisam se acostumar a desafiar constantemente o status quo.

É preciso deixar de lado os  cavalos mortos. Abaixo um divertido retrato do que normalmente acontece nas organizações quando estão cavalgando um cavalo morto.

As 11 melhores coisas que você pode fazer com um cavalo morto:

11. Chicotear o cavalo um pouco mais forte: quando os gestores estão acostumados com uma maneira de fazer algo e isso passa a não funcionar mais, a primeira reação é negar e continuar tentando a mesma abordagem com mais intensidade.

10. Trocar o cavaleiro: quando uma abordagem continua a falhar, um produto ou serviço continua a não atingir suas metas de vendas, a tendência é trocar o responsável, na esperança de que se uma nova pessoas assumir a responsabilidade os resultados serão alcançados.

9. Atrelar vários cavalos mortos juntos para obter mais velocidade: se o problema persistir, a próxima abordagem costuma ser aumentar o time, agrupar pessoas altamente talentosas com a perspectiva de que mais pessoas consigam atingir um melhor resultado em um tempo menor.

8. Copiar as melhores práticas de empresas que cavalgam cavalos mortos: com o problema ainda não resolvido, muitos gestores irão buscar respostas nas melhores práticas da concorrência, como eles atingem suas metas. Com um conjunto de melhores práticas em mãos eles implementam o novo modelo sem entender se a estratégia das outras empresas é a mesma da sua, ou não. Todos começam a agir conforme o novo modelo para cavalgar o cavalo morto e não entendem porque não obtém melhores resultados.

7. Anunciar que é mais barato alimentar um cavalo morto: sem alcançar os resultados esperados os gestores buscam formas de provar que seguir o modelo atual é menos custoso do que inovar.

6. Encurtar a pista: ainda sem conseguir alcançar os resultados esperados, as metas são ditas muito altas e portanto revistas.

5. Afirmar que “É assim que nós sempre cavalgamos o cavalo”: neste momento começam a surgir questionamentos se as coisas estão sendo feitas da maneira certa, se vale a pena continuar e os gestores defendem o cavalo morto como parte fundamental da cultura da empresa.

4. Declarar que “Este cavalo não está morto”: mais tempo, energia e recursos são gastos para convencer a todos de que é possível reverter os resultados.

3. Contratar advogados para processar o fabricante do cavalo: os gestores começam a apontar culpados para os maus resultados, em geral de outras áreas ou de fora da empresa.

2. Contratar um consultor para estudar o cavalo morto: a falta de resultados é atribuída a falta de conhecimento e mais tempo e dinheiro são investidos em tentar melhorar aquilo que já não funciona.

Promover o cavalo morto a uma posição na alta administração…

Fonte: Hartman; Sifionis; Kador. Pronto para web. Rio de Janeiro: Campos, 2000.

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4 comentários sobre “As 11 melhores coisas que você pode fazer com um cavalo morto

  1. Bom dia Sérgio!
    Muito profundo e instigante este post.

    Certamente na liderança, concebemos, criamos e ajudamos a criar muitos cavalos, alguns possuem um haras, portanto falar e refletir sobre o tema necessita uma mente aberta, auto-confiança e autoconhecimento, já que o assunto pode até atingir valores e histórias.

    Assim é difícil discutir o tema sem parecer criador de cavalos mortos, mas um ponto considero importante na análise de um grupo ou grande grupo no momento de entender a saúde do cavalo ou do haras, a análise de Valor.

    O uso de ferramentas como o Value Stream Mapping, ainda fundamentalmente utilizada em processos e sistemas Lean, como o WCM, trazem uma visão realista sobre a saúde de cada cavalo do haras, como um exame clínico completo e assertivo. Desta maneira, há redução significativa àquelas constantes “invenções da roda” ou até o “fazer diferente pelo simples fato de ser novo e necessidade de ser visto”, sem agregar valor aos clientes internos e externos.

    Obrigado pelo post e por abrir uma discussão tão delicada e importante para a saúde das corporações e de seus ambientes profissionais, bem como do sentimento de realização e de inclusão a cerca do sucesso, que ajuda a manter o orgulho de cada pessoa de pertencer ao time como um todo.

    Grande Abraço

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  2. Excelente post Sérgio
    Mas vejo que muitos gestores tem medo do desconhecido, de inovar com a desculpa que sempre foi assim e é assim que tem que ser feito e defendem o cavalo morto como sendo parte da cultura da empresa. Usar o passado como aprendizado para não errar agora e projetar o futuro.

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